quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Amo o silêncio da noite!

amo o silêncio da noite,
o azul escuro do céu,
as densas nuvens errantes,
e seu pranto que verteu:
então a terá se cala
e o mar bravio cedeu
e o negro mocho agoureiro
o seu canto emudeceu.

amo o silêncio da noite,
quando suave instrumento,
nesta hora faz olvidar
agro-passado tormento;
quando leve sussurando
fresca aragem, brando vento
apressurado nos traz
algum novo pensamento.

amo o silêncio da noite,
quando em luz prateada,
modulando amenos versos
os dirijo à minha amada:
e quando todos dormindo,
só eu vejo despertada
a minha sorte cruel,
minha sorte malfadada.

amo o silêncio da noite,
lembrando antiga paixão,
sonhando os sonhos de amor
que gozou meu coração:
oh! então sinto e lamento
só ficar recordação
dessa agora já devolvida
meiga, terna sensação.

amo o silêncio da noite,
quando contemplo a dormir
o sono de um inocente,
que dorme sem sentir:
que só ideias fagueiras
em sonhos lhe podem vir
e que dos males da vida
não sentiu o seu pungir.

amo o silêncio da noite,
quando donzela formosa,
meiga, triste e pensativa,
na voz lânguida e mimosa,
solta gemidos aos céus,
aguardando mui saudosa
por seu bem, que em largas longas terras
vive vida tão penosa.

amo o silêncio da noite,
quando de deus criador,
contemplo o imenso poder,
seu grande e infinito amor:
então ufano quisera
ser sublime trovador,
que dedicara a meu deus
doces cantos de primor.

e já que a lira não vibro
com sonora melodia,
cantarei como cantou
poeta de alta magia:
“como é belo este silêncio
“da terra todo harmonia,
“que aos céus a mente arrebata,
“cheia de meiga poesia!”

Maia Ferreira