sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Coqueiro

ali, na rua do carmo,
um coqueiro ficou abandonado,
quando destruíram a casa velha
a que deu sombra.

e onde um par enamorado
teve sonhos de amor,
nesse pedaço de luanda antiga
agora modernizado.

e o coqueiro ligado à terra
tombado na direcção
da rua da pedreira
como um filho nos maternos braços
ali ficou.
talvez para saudar alguém
que muito sofreu e amou...

mas tudo acaba e o tempo
tudo anda a destruir
- porque tudo é passageiro,
quando se vive a mentir.

ó pincelada verde na cidade,
ruína e gótica coluna
de mármore verde...

morre, coqueiro, morre,
antes que os homens, tão maus,
cometam a crueldade
de te expulsar e matar.

morrer de pura saudade...

e perdoa, mas sofre como um homem,
coqueiro de verdes palmas,
porque tudo, afinal, na vida, é triste,
quando se matam almas...

Tomaz Vieira da Cruz

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