sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Simples poema de amor

o marfim das tuas coxas o mesmo é dos teus dentes
cavalgas louca de uma fome que não mentes

grandes quedas suicidas provocas sobre os abismos
a sub-pele do teu corpo percorrida de sismos

colocas duas estrelas no fundo negro do espaço
e assustada me apertas, mordes-me o peito e o braço

e gritas como ferida, como alcançada em voo
de um dardo veloz e denso, de um poste que se elevou

e cais como uma flor despetalando-se, ave que ainda ofega
e bate as asas de amor, desesperada e cega

e lança no meu rosto o ódio que lhe resta
oh, vencida, apesar de tudo, nesta festa!

Mário António