quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Onda

vim e vou: onda batida,
ontem, um sonho de dois,
quem sabe, simples partida
sem norte, e eu vim depois,

como a chuva ou a flor,
nada mais. já amanhã,
morrerá a onda de dor
fingida ou não, folgazã,

séria ou não, e ficará
só a praia com gaivotas,
e novo mar se abrirá
noutro ventre em novas rotas...

vim e vou: onda batida.
hoje, amanhã, até quando
vier a praia apetecida
que a vida vai fadando...

António Cardoso

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