quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Quissange, saudade branca

aquela melopeia triste de quissange
na noite negra angolana e doce
parou numa nota repentina.

não sei se parou a mão que tange
sei que parou e fosse como fosse
parou numa nota repentina.

ficou-me a angústia de um sonho inacabado
há muito, muito tempo na memória.
hoje a história traz-me o mesmo sentimento,
melodia interrompida de repente…

mas foi um toque desafinado de clarim
que veio anunciar o fim.

o pendão cansado de tantas batalhas
murchou como um trapo desbotado
e com ele se fizeram as mortalhas
dos sonhos frustres que tínhamos sonhado

Neves e Sousa