domingo, 28 de agosto de 2011

ONDJAKI


“Avilo, desculpa tanta filosofia, o que tenho é sede mesmo.
Num tenho dinheiro, num vale a pena te baldar. Mas, epá, vamos só desequilibrar umas birras; sentas aí, nas calmas, eu te pago em estória, isso mesmo, uma pura estória daquelas com peso de antigamente, nada de invencionices de baixa categoria, estorietas, coisas dos artistas: pura verdade, só acontecimentos factuais mesmo. A vida não é um carnaval? Vou te mostrar alguns dançarinos, damos e damas, diabo e Deus, a maka da existência.
Porra, deixa te perguntar ainda: uma carraça pode matar um gajo?
Ai, tas a rir?! E só vais na primeira ngala… Ouve só bem a pergunta, porque duma pergunta é que tuso pode começar. Calma, vou-te explicar tudo, o tintim pelo tintim, temos a tarde toda e se for preciso, tu sabes, depois da tarde vem a noite, nada de pressas que estômago não gosta disso, conselho da médica amiga do mô amigo Burkina. Gala só, isso é nome: Burkina?! Num ri só assim no outro que você num conhece, bom homem então, grande mô camba de todas aflições deste mundo e do outro, é verdade, porque eu mesmo aqui que estou, junto contigo, teus sorrisos, tua assistência, teu cumbú, tuas birras, eu mesmo é que posso falar do outro mundo. Tem razão, desculpa tanta confusão então; vamos iniciar os primeiros tintins.
O caso do Cão primeiro, quer dizer, não vou poder falar do Cão sem falar da dona também, mas supondo: o Cão, que não era um cão, mas o Cão, uma besta, grande animal de mangonha e sono, todos dias, o muadiê habitava a melhor parte do cubíto então, num acreditas? Porra, se tas a pensar que tou grosso, podes tirar o cabrito da chuva! Isso num tem nada a ver com os poderes do álcool, não vale a pena te espantares já, guarda pra mais tarde então, vem aí coisa de muito mais, mais-mais, mais-mais, o muito mesmo”.