quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Faísca caiu

faísca caiu
lá longe, cá perto,
não sei, não a vi!
mas faísca caiu
na terra do negro
queimada do sol
lambida pelo vento
varrida pela chuva,
faísca caiu.
caiu com a chuva
que fertiliza a terra,
que a beija com fúria
de braços possessos
de noite e de dia…
faísca caiu
a chuva também.

a terra molhada,
o milho crescido,
barriga está cheia,
dinheiro no bolso…

faísca caiu!
maldita faísca,
suco malvado
deitou faísca
no chingue no muntu,
matou a família!

mamãe morreu,
papai morreu,
o mano morreu…
morreu a família
ficou só catemo…

faísca caiu,
lá longe… cá perto…
faísca caiu
a chuva chegou.
em casa do branco
bendita faísca!

na casa do negro
faísca caiu,
ficou sem albergue,
sem lar, sem pão…
família morreu…
maldita faísca!

aquela faísca
prenúncio de chuva
que a uns dá fortuna
e a outros miséria,
é obra de deus
- do negro e do branco.
mas deus é branco,
o preto não tem!

Ruy Burity da Silva