quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Desolação

tudo se foi por água abaixo
as enxurradas levaram os milhos,
os comerciantes fecharam a porta,
os contratados seguiram para s. Tomé,
as mulheres negras com os filhos pendentes das longas tetas magras

caminharam pelos desertos da vida,
com os olhos enxutos, sem lágrimas
viram morrer os filhos
caídos como os gados pelas pastagens áridas.
os cadáveres trouxeram epidemias.
morreu mais gente,
e todos morreram,
como se não morressem.
tudo se passou no silêncio amordaçado da selva.
agora
em desespero de virgem
violentada e infecunda,
grita a terra nua
a desolação da paisagem morta.

Alexandre Dáskalos

2 comentários:

Orlando Castro disse...

Andam por aí... na luta. Eu, or exemplo, faço-o em: http://www.altohama.blogspot.com
e
http://www.artoliterama.blogspot.com

jorge willian disse...

Mui belo!!!