quarta-feira, 6 de julho de 2011

Poema da hora da partida

hei-de voltar!
sim, hei-de voltar!...
parto agora criança, mas regressarei homem.
parto agora ingénuo, hei-de regressar duro.
parto agora bondoso, hei-de voltar justo.
hei-de voltar!
e então,
vereis do que sou capaz.
hei-de esmagar-vos,
a vós e às vossas cobardias.
hei-de cuspir-vos
a vós e às vossas imposturas.
hei-de troçar-vos,
hei-de desprezar-vos,
hei-de maltratar-vos,
a vós,
às vossas honras,
às vossas ordens,
às vossas mentiras…
hei-de voltar, sim!
e quando voltar,
vereis o que farei.
parto agora bom, mas voltarei de ferro.
e mesmo as honras que me dais
(as honras que dais a quem vos não faz sombra)
até essas
hei-de esmagar aos pés…
quando voltar, vereis.
não temerei jamais.
hei-de subir à tribuna,
e olhando aqueles
que não puderam voltar,
porque nunca puderam partir,
gritarei:
“irmãos! a nossa terá é farta!
a nossa terra é bela como um jambo.
a nossa terra é grande!
irmãos!
unamos energias.
e da nossa terra farta, façamo-la mais farta…
da nossa terra bela, façamo-la mais bela,
da nossa terra grande, façamo-la maior,
e cada vez mais nossa.
irmãos!
vamos lutar,
lutar cantando, lutar morrendo,
que morrer na luta é a morte melhor!”
quando eu voltar,
e eu hei-de voltar,
vereis do que sou capaz.

Antero Abreu