quarta-feira, 27 de julho de 2011

Kiôca

chamam-te negra e tu
ficas triste e pensativa
cismando…

e o teu olhar que cativa
esta minha escravidão,
tem lágrimas de luz
chorando!

chamam-te negra,
mas fica certa e atende
esta grande afirmação:
a tua cor não distingue,
nem ausenta, -
motivos que possam ter
certas cores de perdição…

negros foram teus pais,
que em longes tempos passados
o mar, chorando, dispersou no mundo.

e nunca mais foram voltados
nunca mais!,
à sua terra de encantos…

pobres escravos proscritos
que morreram quase santos!

chamam-te negra para te ofender
e até fazer chorar…

também o céu é mais negro
quando, em noites de tormenta,
molha o cálice das rosas,
e as raízes alimenta.

ó escultura de ferro,
ferro em brasa, que me quis
porque me queima…

és negra, andas de luto
por tua raça infeliz!

Tomaz Vieira da Cruz