sexta-feira, 22 de julho de 2011

Dois poemas à terra

Para jorge Luís


Louvado sejas, meu senhor, pela irmã
nossa mãe terra,
a qual nos sustenta e governa,
e produz frutos diversos
com flores coloridas e ervas.


S. Francisco de Assis (Cântico do Irmão Sol)




I

Oh terra, oh terra! oh minha mãe terra!!

sim
eu sou uma força de amor à humanidade e às super-e-subhumanidades!
sim, eu sou uma força de ódio a tudo quanto algema o ideal -
esse presente que se nega, superando-se
no desejo de vir a ser maior!
eu sou, sim, sou um fanal
um fanal de emoção
ante a beleza das coisas e dos homens!

mas sou amor, ódio, emoção
mas sou uma força a influir no destino do que me cerca
graças a ti
a ti, ó mãe terra!
graças aos meus nervos, às minhas carnes, aos meus olhos,
à minha voz - a este corpo!
do barro do teu chão
da água das tuas fontes
só por ti consigo ser
o amor que transforma para melhor,
o ódio libertador que atemoriza, arrasa e silencia,
a emoção que dinamiza a apatia
rasga as trevas
e vence os impossíveis

- a humanização do mundo!
oh!
oh terra! oh terra, oh nossa mãe terra...

II

tal qual o céu me aproxima no espelho dos lagos,
não preciso subir aos longes metafísicos
para a boa conduta humana conhecer

- basta-me olhar-te, ó terra!

são exemplo de solidariedade
os grãos de areia que da base ascendem
para o espanto olímpico das alturas dos cumes...

e o abraço universal dos rios, enlaçando
vilas, aldeias e cidades
campos e países,
dai-me a lição da fraternidade...

e a beleza harmónica dos plainos pontilhados
de plantas várias e variegadas flores,

e o amor aberto nos cálices abertos esperando
o amplexo do pólen vindo
quer num verso musical do vento
quer na paleta voejante
das asas-íris de uma borboleta.

e a infância cuidada e doce das árvores nos frutos,

- de onde vêm, de onde vêm senão, ó terra,
do seres o berço de todos,
o regaço de todos
a mãe ubérrima livremente dadivosa e igual - de todos?...

oh!
oh terra! oh terra, oh nossa mãe terra...

Viriato da Cruz