segunda-feira, 13 de junho de 2011

Reportagem

já floriram de novo acácias e olaias!
mais uma primavera...
mais um encanto novo a iludir os tristes!

nos paseios para cá e para lá,
as pessoas passam
enroupadas já de primavera...
eles vão de fato claro,
elas com flores estampadas nos vestidos.

as gotas de água dos repuxos e relvados
são diamantes batidos pelo sol
claro, suave, embalador
desta primavera,
da primavera eterna
que vai da natureza aos fatos dos que passam...

mas quando, para quando
a primavera da vida emancipada!
para quando a primavera fecundada
pelo choro das crianças sem pão,
pelo grito das mulheres envilevidas
pelo estertor dos homens com ganhos de meio tostão...
pelo sangue dos que erguem a flama do seu anseio
e são mortos no caminho...

ah! quando a verdadeira primavera da vida!
rosa escarlate aberta na escuridão,
canto de plena certeza,
infância deslumbrada a pregar no firmamento
as estrelas de amor acesas por nossas mãos...

para quando, para quando?

e os que passam vestidos de primavera
sentirão a dor desta pergunta?

nos passeios
a multidão desliza para cá e para lá
vestida de primavera,
nos seus fatos claros...
e as árvores, essas,
rescendem ataviadas de flores...

sim, mais uma primavera
na natureza e nos fatos dos que passam...


Lília da Fonseca