quarta-feira, 22 de junho de 2011

Pela calçada da Maria da Fonte

pela calçada da maria da fonte
manhã cedo, muito cedo,
a caminho da baixa,
desce um formigueiro…… de povo.
é um rio novo que avança;
rostos duros, olhos mortiços,
deixaram ficar no musseque
as histórias da noite que dura.

pela calçada da maria da fonte
seis e meia. os sonhos regressam
com a noite que desce. pelos caminhos
há olhares, promessa de beijos
e ritmos quentes a transbordar…
rostos duros, olhos de álcool
lentamente o formigueiro…… de povo
desagua musseque fora.
pela calçada da maria da fonte
o povo desce, caminha, rumureja,
lembra por ora um mar tranquilo
a vencer distâncias……

António Cardoso