quarta-feira, 4 de maio de 2011

Vadiagem

naquela hora já noite
quando o vento nos traz mistérios a desvendar
musseque em fora fui passear às loucuras
com os rapazes das ilhas:
uma viola a tocar
o chico a cantar
(que bem que canta o chico!)
e a noite quebrada na luz das nossas vozes

vieram também, vieram também
cheirando a flor do mato
- cheiro grávido de terra fértil –
as moças das ilhas
sangue moço aquecendo
a bebiana, a teresa, a carminda, a maria.

uma viola a tocar
o chico a cantar
a vida aquecida com o sol esquecido
a noite é caminho
caminho, caminho, tudo caminho serenamente negro
sangue fervendo
cheiro bom a flor do mato
a maria a dançar
(que bem que dança remexendo as ancas!)
e eu a querer, a querer a maria
e ela sem se dar

vozes dolentes no ar
a esconder os punhos cerrados
alegria nas cordas da viola
alegria nas cordas da garganta
e os anseios libertados
das cordas de nos amordaçar
lua morna a cantar com a gente
as estrelas se namorando sem romantismo
na praia da boavista
o mar ronronante a nos incitar
todos cantando certezas
a maria a bailar se aproximando
sangue a pulsar
mocidade correndo
a vida
peito com peito
beijos e beijos
as vozes cada vez mais bêbadas de liberdade
a maria se chegando
a maria se entregando

uma vida a tocar
e a noite quebrada na luz do nosso amor…

António Jacinto

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