segunda-feira, 30 de maio de 2011

Noite

noites africanas langorosas,
esbatidas em luares…,
perdidas em mistérios…
há cantos de tungurúluas pelos ares!...

noites africanas endoidadas,
onde o barulhento frenesi das batucadas,
põe tremores nas folhas dos cajueiros…

noites africanas tenebrosas…,
povoadas de fantasmas e de medos,
povoadas das histórias de feiticeiros
que as amas-secas pretas,
contavam aos meninos brancos…

e os meninos brancos cresceram
e esqueceram
as histórias…

por isso as noites são tristes…
endoidadas, tenebrosas, langorosas,
mas tristes… como o rosto gretado,
e sulcado de rugas, das velhas pretas…
como o olhar cansado dos colonos,
como a solidão das terras enormes
mas desabitadas…

é que os meninos brancos…
esqueceram as histórias,
com que as amas-secas pretas
os adormeciam,
nas longas noites africanas…

os meninos brancos… esqueceram!...

Alda Lara