segunda-feira, 9 de maio de 2011

Flora & fauna

flor de nojo que em noite pasmada
o mestre-escola desfolha
e o verme invisível rói,
sejam tuas pétalas o sudário
para quem a morte avilta
e a poesia não ousa.

és flor de nojo, poesia e ventre,
(infecundo não importa!) e à tua volta
restos, ranço, rastos;
esterco, livros por abrir;
cacos, penas de asas...
("tlavez de anjo..." murmura o literato),
e à tua volta, vozes de poetas,
em coro, no charco, soletram,
plácidos, pelintras, pálidos.

flor de nojo, que em noite pasmada,
se dá, prudente - tão maliciosa!,
a quem a escarnece e teme,
vingue-se em ti, ao menos, ninguém:
que a vingança é só de quem
o sorriso não reclama.

Tomaz Kim

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