quarta-feira, 11 de maio de 2011

Diogo Cão às portas do Zaire

deste lado da história
o rio morre aqui.
do mar sabemos nós e aos capitães
a fama da conquista.

faço-me ao sul
porque pertenço ao norte
e a costa só me serve p’ra cumprir
tarefa de abandono.

meu fim é circular, ir mais além.
por isso eu sei de estrelas
direcções
e nada sei do fruto
que se projecta e espera.

cumpro tarefas sim, porque viajo.
assim nasci
sabendo o que me aguarda após a descoberta.
fronteiras
só conheço as do meu lar
e sei amá-lo, só,
noutras distâncias.

de deus, empreendi que mora aqui no mar,
porque sou eu
quem lhe constrói a face.

ao rei e a vós
apenas dou notícia do rumo horizontal.

pois que sabeis da vertical sagueza?

Ruy Duarte de Carvalho

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