segunda-feira, 18 de abril de 2011

Saudação

se não voltar,
não hesites: é distância.
se não sorrir,
não sofras: é lembrança.

alongo-me na música
das canções sem sons
dizendo em melodia
chorar alegria e dor

se mundo sofrer
não lamentes: é alegria.
se só gritar e rir,
beija-me: é solidão.

isola-me o pensamento
no desencontro do quotidiano
apelo ancestral lançado
no despertar telúrico do lago

tão sempre só…
tão tragicamente só…


Ruy Burity da Silva (1940)

Nasceu no Lobito. Em 1964 veio para Lisboa como funcionário dos Serviços Culturais da Companhia de Diamantes de Angola e dedicou-se ao estudo etnográfico do grupo étnico dos Quiocos (Tchokwe).
Realizou conferências de carácter literário e tem colaboração em “Planalto”, “A Província de Angola”, “Jornal do Comércio”.