segunda-feira, 25 de abril de 2011

Recordação

Um velho ardina

lagoa dormindo
e a canção na noite…

- uola mono, uola tala
- uola mono, uola tala, uola mono…

canção do fatal passando
na rua fechada do cemitério velho

e o vento trazia fios de risadas
um novelo oculto de assombrações e medos
na noite ondeante do meu além caído.

e tudo eram sombras, véus silentes!

e eu, menino
não via a tua mão pendente
definhada torção da sorte
balançando ao ritmo do teu canto…

- uola mono, uola tala,
- uola mono, uola mono…

hoje sei que as sereias da lagoa
te uniam ao luto enorme que choravam
de um povo inteiro sepultado.

Arnaldo Santos

1 comentário:

a clave de fá disse...

Parabens pelo blog, é ótimo! maravilhosos poemas! Fique à vontade para visitar meu blog. há postagens que talvez te interessarão, pois seu "gosto" pela literatura é refinado. Talvez a postagem "nova poesia marginal" lhe será util, ela trata de novíssimos poetas brasileiros.

http://semioticaeminimalismo.blogspot.com/