segunda-feira, 11 de abril de 2011

Poema

as grandes queimadas africanas
transumância ancestral
no algo desprestigiante
das pinturas sem cor
recordam os ngangas intranquilos
(olupulo luombila)
nos anos de não-chuva.

é sempre na lua de cacuênhe
que o ngombe das cores sagradas
sai para o grande cortejo:
a ondjélua do povo!
assim também nascerá
todos os anos,
da terra queimada
o chóli novo.

não mais andarão as tchitucas
no seu vai-vem espectral
põe entre os eumbos,
lançando a maldição da ndjála.
os nombuále pensarão
não vir ainda dessa vez
a chamada de huco.

nas grandes queimadas africanas
o sorrir vermelho-fogo
o olhar negro-fumo
de todos os bois
em todos os vilongo,
as monas mais queridas de calunga!

na sua satisfação
a satisfação dos homens.
(o capim será tenro de novo!)

Jorge Arrimar