quarta-feira, 13 de abril de 2011

Buzi

tu eras bela e virgem
e eras tão pura
como se fosses a mais linda estrela
do céu quando a noite é mais escura.

tu eras a namorada
daquele que por ti chora,
longe, muito longe,
e ainda te namora
quando, à noite, olhando o céu
te procura e reconhece.

- e fica sempre a olhar-te
até que a noite amanhece.

é por ele que tu vives,
é por ele que tu morres,
é por ele que tu sofres
- buzi…

pobre buzi, levaram-te no branco…
foi um presente macabro,
foi um presente sem futuro…

e agora, nessa avenida,
espreitando a mentira da cidade,
está chorando seu amor ausente
a triste e pobre buzi desterrada,
e tão doente,
sempre a pedir que lhe dêem cura,
ou a morte;
- porque a morte é a distância
que um grande amor aproxima.

buzi, ó flor do songo,
para males da muxima
kimbanda não tem milongo!

Tomaz Vieira da Cruz