quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Regresso à infância

volto à infância: aos tambarinos
ácidos como os frutos
proibidos, aos cajus
polpudos,
às mangas vermelhas como o sol

aos filmes do zorro
no são domingos, à quitaba
e ao bombo assado,
enchendo de felicidade o
estômago

ao espadachim de mentira,
com improvisados floretes retirados
às construções, à
caçambula, atreza
- NINGUÉM! NINGÚEM! –
à besta quadrada ou redonda

à prima mostrando
as calcinhas floridas, ao espanto
de vê-las
sem saber ainda
o que só com os anos aprenderia:
calcinha de mulher é
pra tirar

e ao primeiro amor: a peco,
que quase
desmaiou, ali
mesmo,
na escola 142, bairro popular
luanda,
angola

pronto – 17 anos depois
de ter descoberto a poesia,
aí está o meu primeiro poema
à infância perdida

(devo estar a ficar velho)

João Melo

1 comentário:

José Sousa disse...

Optimo!
Este é mais um blog que me dá conhecimento do que se passa na terra que aprendi a amar. Optimos assuntos que aqui encontro, continuem! Já sou seguidor, seja meu tambem em:

www.angolaeseusfilhos.blogspot.com
www.congulolundo.blogspot.com
www.minhaalmaempoemas.blogspot.com

Um abração e felicidades.