sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A teus pés

incenso-me de amargura
e do aroma acre dos meus cantos
e sou a trágica criatura
que a teus pés depõe a vida
e intérminas solidões...

(espero a tua mão comovida
e um riso de amor e canções...)

para além da colina cinzenta
fica a história que renego:
estradas, mares e ventos.
e os cansaços nevoentos
do meu bordão fraco e cego.

toma-me! sou um vinho antigo...
desfolha-me! sou uma flor bravia...
destrói-me! sou lento castigo
em lenta agonia...

Amélia Veiga

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