quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Despertar

acorda
erguido como o sol sobre as montanhas...

estende os braços
à vida que te chama,
e canta!...

vai!...
e de cabelo ao  vento,
constrói a vida pela raíz da dor no fogo das entranhas.

vai!...
e que os olhos
e os lábios
vejam e saibam
do fragor da luta...

filho da terra que te deu o ser,
corre no implulso da enchente
tropical
dum sangue quente,
e em tempestades de amor
troveja e geme
na alegria de lutar
e de viver!

sereno como o rio
que volta ao leito,
dá-te para os outros
- seu irmão -
irmãos que sejam como tu:

dos pés à boca
homens
que não neguem
a sua condição...


há lobos
dispersos no caminho...

e vai,
a fronte juvenil
erguida
engrinaldada ao sol,
a vida
confiante no punho
dessas mãos viris...

irmãos, vinde!...
o sol ergue-se nas montanhas.
a vida não se fecha,
a todas faz florir...
a vida tem de ser aberta -
sejamos nós o fruto e a oferta
da árvore do porvir...

Alexandre Dáskalos

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