segunda-feira, 19 de julho de 2010

Kicóla!

nesta pequena cidade,
vi uma certa donzella
que muito tinha de bella,
de fada, huri e deidade –



a quem disse:- “minha q’rida,
peço um beijo por favor;
bem sabes, oh meu amor,~
q’eu por ti daria a vida!”



- nquâmi-âmi, ngua – iame
“não quero caro senhor”
disse sem mudar de cor;
- macûto, quangandall’ami.
“não creio no seu amor”.
eu querendo-a convencer,
- muámôno!? – “querem ver!?”
exclamou a minha flor,
- “o que t’assombra donzella
n’esta minha confissão?”
tornei com muita paixão.



olhando sério pr’ella –
- “não é dado” – continuei –
“o que se sente dizer?!...
sem ti não posso viver;
só contigo f’liz serei.”
- kiri ki amonequê,
“ninguém a verdade falla”
ósso a kua-macuto – âla!
“toda a gente falsa é!”
emé, ngana, nguixicána,
“aceitar não sou capaz”
o maca mé ma dilage,
“ a sua falla que engana!”
- oh! q’rida não há motivo
para descreres de todos;
cada qual tem seus modos,
eu a enganar não vivo
- eie ngana úarimûca,
“o senhor é muito esperto”
queria dizer, decerto;
uzuêla câlá úa cûca!



“falla como homem d’edade!



Cordeiro da Matta

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