segunda-feira, 12 de julho de 2010

Bailarina negra

para Antonica (na Barra do Dande)


a noite
(uma trompete, uma trompete)
fica no jazz

a noite
sempre a noite
sempre a indissolúvel noite
sempre a trompete
sempre a trépida trompete
sempre o jazz
sempre o xinguilante jazz

um perfume de vida
esvoaça
adjaz
serpente cabriolante
na ave-gesto da tua negra mão

amor, 
vénus de quantas áfricas há,
vibrante e tonto, o ritmo no longe
preênsil endoudece

amor
ritmo negro
no teu corpo negro
e os teus olhos
negros também
nos meus
são tantãs de fogo
amor.

António Jacinto

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