sexta-feira, 25 de junho de 2010

Poema

quando eu morrer ponham-me num museu
que o meu lugar é aí.
coloquem na vitrine este letreiro:

“espécie rara de tipo invertebrado
verdadeiramente fenomenal.
fez poesia.cursou a faculdade. Sofreu
entre outras coisas, ausências de dinheiro,
e, como os humanos, pensou no bem e no mal.
chegou a convencer-se que era gente.
mas morreu.
e por tudo isso que o fez diferente
dos outros invertebrados
veio à sala de um museu”.

Ermelinda Pereira Xavier

1 comentário:

Larissa Lisboa disse...

Que poema lindo! Esse eu não conhecia! Você poderia me dizer o livro que eu possa encontra-lo? Abraços!