segunda-feira, 14 de junho de 2010

Enquanto a palavra paz

enquanto a palavra paz...
troar nos peitos ecos de ngomas de guerra
explodir nos olhos imagens de corpos retalhados
acompanhar nos corações com o jingololo das mães
e crianças em fuga

enquanto a palavra paz...
lembrar um véu negro para o culto de uma fé má
lembrar a embriaguez do sangue nos massacres
de gente desarmada
e catanas erguidas em cada sombra

enquanto a palavra paz...
não entrelaçar dedos com dedos estrada embora
miendeleka deixanana passo a passo reconhecermos
na terra o odor e o alimento de nossas vidas...

um vagido de néné
alcançará o topo da montanha e as pedras rolarão
um simples poente de kanzumbis
será um apocalipse de sangue

e as hienas
continuarão escarninhas nos seus coios.

Arnaldo Santos

1 comentário:

soninha disse...

Paz...ela dormita dentro do ser humano,enquanto ele não a despertar e a cultivar, ecoará sempre um grito buscando-a.bjs