quarta-feira, 26 de maio de 2010

Quando eu morrer

quando eu morrer
não me dêem rosas
mas ventos.

quero as ânsias do mar
quero beber a espuma branca
duma onda a quebrar
e vogar.

ah! a rosa dos ventos
a correrem na ponta dos meus dedos
a correrem, a correrem sem parar.
onda sobre onda infinita como o mar
como o mar inquieto
num jeito
de nunca mais parar.

por isso eu quero o mar.
morrer, ficar quieto,
não.
oh, sentir sempre no peito
o túmulo do mundo
da vida e de mim.

e eu e o mundo.
e a vida. oh mar,
o meu coração fica para ti
para ter a ilusão
de nunca mais parar.

Alexandre Dáskalos