segunda-feira, 1 de março de 2010

Poema do regresso

quando eu voltar da terra do exílio e do silêncio
não me tragam flores.



tragam-me antes todos os orvalhos,
lágrimas de madrugadas que presenciaram dramas.
tragam-me a fome imensa de amor
e o queixume dos sexos túrgidos na noite constelada.
tragam-me a noite longa de insónia
com mães chorando de braços vazios de filhos.



quando eu voltar da terra do exílio e do silêncio,
não, não me tragam flores…



tragam-me apenas, isso sim
o último desejo dos heróis tombados ao amanhecer
com uma pedra sem asas na mão
e um fio de cólera a esgueirar-se dos olhos.



Jofre Rocha

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