quarta-feira, 24 de março de 2010

Pastor de estrelas

para o marinheiro Carlos Barbosa


companheiro Barbosa
me atraz novidades:
“o grito é um pastor de estrelas…”
entorno enternecitudes, assim em
emochões.
o grilo é rasante, gritante, em negrecido.
um bicho do chão, concluímos.
“mas aí está”, diz-me.
“por via do chão ele despe distâncias;
está mais próximo de estrelas, pois…”
entorno espantos, encantos.
“um pastor, guiante? – eu.
“ah pois e sim. o mais certo apastoreiro!” – ele.
e entrando em explicamentos:
“no canto do grilo as estrelas rebrilham, acendidas.
comungam luz, iluminam poeiras, universais versos.
de tanto desconhecimento em medições
o grilo ganha é abraço com estrelas;
de tanta chãotoria
o grilo estreia é intimidade com a magia”;
mas elas altíssimas, despenduradas,
o grilo aquieto – patas impostas em húmida terra.
mas barbosa:
“estrela é brilho de sonho,
é rebanho manso, em simplicidades disponíveis.
não queria indagar mistérios.
somente dê-se a ouvitudes: ausculte o grilo,
esse pastor de estrelas…”
entorno crenças, desfalecências.
arre e pio-me de silêncios.
o grilo é um adormecedor de inquietudes.
cessa o canto, o encanto,
vincadas de negrume, as estrelas grilaram-se
para sonos.
Adormecimentos provisórios.

Ondjaki

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