quarta-feira, 3 de março de 2010

Museu

de meus antepassados não recordo
mas invento em cada pedra colocada
em praças por seus braços noutros braços
onde pombas poisam e turistas fazem
souvenirs de sol e manuelinos

e pátrias não conheço

assisto aos exercícios outonais
da morte sem idade. do cremar
olhos na distância por noivas adiadas
e mãos correndo terços das velhas esperando
a morte simplesmente

e deuses não conheço

não fui navegador
embora me quisessem em vários continentes
em que sempre estive e disse nunca
para que naufragasse minha história com o peso
das grilhetas amarrado aos oceanos

e epitáfios não conheço

o que ergueram meus braços
não está em áfrica
a minha música
não está em áfrica
a minha estatuária
não está em África
idem para o meu marfim
as minhas lanças
os meus diamantes
o meu ouro
idem
idem
idem

Manuel Rui

2 comentários:

Moacy Cirne disse...

Meu caro,
Angola se faz presente no Balaio de hoje. Mais uma vez.

Kandandu.

líria porto disse...

belíssimo poema - triste também...
besos