segunda-feira, 29 de março de 2010

Cambúta

não é feia, nem é linda,
mas tem o encanto ideal,
a graça attrahente, infinda
que enlouquece a um mortal.

nada possue de galante
de divino ou seductor;
porém, um todo que encante,
como o seu, não há melhor.

é cambúta, isto é, baixinha;
não sendo horrenda, nem feia,
e posto seja negrinha
tem as formas d’uma hebreia.

seus olhos claros, brilhantes
derramam uns taes fulgores,
que dois astros fulgurantes
não lhes ganham em primores.

quando airosa a vejo andar,
o seu corpo pequenino
de plástica singular
tem um quê tão peregrino,

que a alma logo s’invade
d’uma estranha sensação
e palpita o coração
de febril ansiedade…

a antiga esthetica grega
que pelo bello morria,
se visse este raro specimen
uma estátua lh’esculpia!

Cordeiro da Matta

1 comentário:

ParadoXos disse...

lugar de poesia, a alma à flor da pele!


forte abraço pelo bom trabalho!