quarta-feira, 10 de março de 2010

Angola

não nasci do teu ventre
mas amei-te em cada primavera
com a exuberância de semente…


não nasci do teu ventre
mas foi em ti que sepultei
as minhas saudades
e sofri as tempestades
de flor transplantada
prematuramente…


não nasci do teu ventre
mas bebi o teu sortilégio
em noites de poesia
transparente…


não nasci do teu ventre
mas foi à tua sombra
que fecundei rebentos novos
e abri os braços
para um destino transcendente…


angola,
não eras terra do meu berço
mas és terra do meu ventre!

Amélia Veiga

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