sexta-feira, 12 de março de 2010

Amargos como os frutos

Amado, porque voltas
com a morte nos olhos
e sem sandálias
como se um outro te habitasse
num tempo
para além
do tempo todo


Amado, onde perdeste tua língua de metal
a dos sinais e do provérbio
com o meu nome inscrito


onde deixaste a tua voz
macia de capim e veludo
semeada de estrelas


amado, meu amado
o que regressou de ti
é tua sombra
dividida ao meio
é um antes de ti
as falas amargas
como os frutos

Paula Tavares