quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

N’um batuque

n’um batuque hontem andei,
onde vi certa morena,
tão gentil era a pequena
que nem eu dizel-o sei
- como está? lhe perguntei
logo que de perto a vi,
- quer dansar? lhe repeti,
não se acanhe minha bella, -
- tunda bôbo, me disse ella,
ou antes: - saia d’aqui
- seja meu par, oh menina
não se zangue por tão pouco; -
- Uá salúca, é você louco,
gámessenâ’me qu’quina
- desse olhar a luz divina
fascinado me deixou!
se um beijinho, só, lhe dou
gozarei prazer infindo, -
- quicóla, me disse, rindo,
logo de mim, se affastou.
- porque foge? venha cá,
porque só me deixa aqui? –
- uá mono… mundele inhi…
guami’âme… ndé cuná
- por favor, não se vá já,
é ainda muito cedo, -
- quiússuca, disse a medo
a moreninha tão linda
caté mungo, disse ainda,
e retirou-se em segredo…


Eduardo Neves