segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Luanda

Gosto dela à noite
a horas esquecidas

gosto dela quando mais
ninguém anda cá fora
e a sinto toda minha…

o seu corpo grande e negro
é quente e generoso,
e os ruídos no escuro
cães ladrando, carros longe
galos, meninos chorando…
fazem uma sinfonia
morna, calma e tropical
como se fosso o respirar
de alguém que descansa.

é por isso

que eu gosto de Luanda
a horas esquecidas…

olho o seu corpo, grande,
o seu corpo negro e generoso
e sinto uma ternura especial

como se fosse o corpo conhecido
duma amante saciada e adormecida
que se olha com amor e com cansaço
e depois se recorda com saudade.


Neves e Sousa