quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Quissange – saudade negra

não sei, por estas noites tropicais,
o que me encanta…
se é o luar que canta
ou a floresta aos ais.

não sei, não sei, aqui neste sertão
de música dolorosa
qual é a voz que chora
e chega ao coração…

qual é o som que aflora
dos lábios misteriosa!

sei apenas, e isso é que me importa,
que a tua voz, dolente e quase morta,
já mal a escuto, por andar ausente,
já mal escuto a tua voz dolente…

que é o destino selvagem
duma canção em que tange
por entre a floresta virgem
o meu saudoso “Quissange”.


quissange, fatalidade
deste meu triste destino…
quissange, negra saudade
do teu olhar Diamantino.

quissange, lira gentia,
cantando o sol e o luar,
e chorando a nostalgia
do sertão, por sobre o mar.

indo mar’s fora, mar’s bravos,
em noite primaveril
acompanhando os escravos
que morreram no Brasil.

não sei, não sei,
neste verão infinito,
a razão de tanto grito…

- se és tu, ó morte, morrerei!

mas deixa a vida que tange,
exaltando as amarguras,
e as mais tristes desventuras
do meu amado quissange!

Tomaz Vieira da Cruz

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