segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Podes chorar…

podes chorar
e fazer chorar as borboletas
no pó brilhante que se levanta
das estradas que percorres
sem sorrir,
porque nas órbitas dilatadas
de uma razão que se inventou
paira já um arco-íris de cristais
a reflectir a pureza
das lágrimas que choraste…

não houve só ódio na floresta
que o saber agora encerra
em túmulos de mármore
feitos com pedaços de verdade…

não bastará entender
que existiam crianças
ou a infância de muitos homens
para que o sol sa isenção
tenha tido que existir
na madrugada dos corações
que se coloriam de vida?

podes chorar
e fazer voaras borboletas
sobre as pétalas de um dia
polvilhado de sofrimento.
o teu nome esgueira-se
na névoa dos modelos
que inventaram para ti…
o teu corpo alvo prende-se
nas árvores esgalhadas
de todas as guerras
com que ornaram os teus cabelos
soltos ao vento das ambições…


Jorge Arrimar (1953)

Licenciado em História, nasceu na Chibia (Huíla). Na década de 70 fundou, com alguns amigos o Grupo Cultural da Huíla. Leccionou Português nos Açores e desde 1985 está radicado em Macau onde desempenhou o cargo de director da Biblioteca Nacional.

2 comentários:

Ana Tapadas disse...

Força e determinação em 2010, para continuares com este excelente projecto.
Beijo

Reino da Fantasia disse...

Muitos aplausos pela beleza e profundidade dos versos.PAZ!