sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O moringue

o sol queima as folhas das palmeiras
e os pés caminhantes sobre a areia
o sol que traz o vento e afasta o peixe
ele não esquentará a água do moringue.
não há sol no canto desta casa
há sombras dos luandos que fazem as paredes
a areia do chão traz a frescura da terra
os caniços dos luandos têm a frescura
que trouxeram das terras de cabiri
quando, de andar nas canoas, voltamos do mar
e a garganta vem a arder como se era sal
a água do moringue sabe-nos como nada mais.

e, a quem nos pede, com o coração alegre,
nós a oferecemos, nas canecas de esmalte.

Henrique Guerra

2 comentários:

Moacy Cirne disse...

Oi,
Cordeiro da Matta
está no Balaio de hoje.

Kandandu/abraço.

Ana Tapadas disse...

O moringe: agora sei como o sentem!
bj