quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Maurício de Almeida Gomes

De muitos dos poetas que aqui venho publicando não tenho notícia. Sobretudo dos de gerações muito anteriores à minha. É o caso de Maurício de Almeida Gomes. Como escrevi aqui no texto da sua apresentação, foi com mágoa que uma investigação na net se mostrou infrutífera. Quer no site da embaixada angolana em Lisboa, quer no site da União dos Escritores Angolanos. De outros poetas o mesmo. Achei até imperdoável. Portanto, os poemas de Maurício aqui publicados foram retirados da obra do saudoso professor Manuel Ferreira, professor da Faculdade de Letras de Lisboa e um especialista em literaturas africanas de expressão portuguesa, “No reino de Caliban”, publicado, é bom relembrar, em 1973. De Maurício de Almeida Gomes, um dos pioneiros da moderna poesia angolana só sabia que nasceu em 1920. Escrevi, na altura, que não sabia se ainda era vivo ou se já nos tinha deixado. Repito ser imperdoável não me ter sido possível encontrar algo sobre ele.
Até agora.
Um comentário de um seu neto informa-nos que esta referência da poesia angolana, nos seus quase 90 anos, está vivo e lúcido. Claro que nos regozijamos de tal notícia. Gostávamos de saber se ainda escreve, pois a única referência que temos, repetimos, é a obra de Manuel Ferreira.
Fica um pedido ao Ricardo Gomes: um grande abraço ao Maurício de Almeida Gomes.



Adenda às 08h53:
Na última Festa do Avante, há pouco mais de um mês, no pavilhão do MPLA comprei o livro do qual reproduzo a capa. Trata-se de uma antologia de poetas já falecidos, como o próprio sub-título indica. Nele encontrei Maurício de Almeida Gomes, com a informação do ano do nascimento, sem o ano da morte, que aparece em todos os outros. Convenci-me do desaparecimento do poeta mas que as autoras não sabiam o ano. Questão pacífica, portanto.
É durante esses mesmos dias na Festa do Avante que recebo o comentário do neto do poeta com a informação de que está vivo.
Ora a edição é da União dos Escritores Angolanos, com o Alto Patrocínio do primeiro-ministro do Governo de Angola. Tamanha gaffe, tamanho erro, tamanha incompetência, tamanha falta de rigor é, desculpem-me o termo, abominável. Uma das autoras da antologia é Chefe de Departamento de Serviços, a outra é editora e coordenadora do site da UEA.
Certo que Angola, e o meu MPLA, aderiu a essa nova moda de modelo social que mais não é que o exacerbar de um capitalismo fascizante, em que o único valor que conta é o lucro de uma minoria em detrimento de uma imensa maioria que compõe a sociedade. A globalização e o neo-liberalismo. Em Portugal passa-se o mesmo, com cargos de responsabilidade a serem distribuídos não na base da competência mas na base do clientelismo, por aqueles que prestam “valorosos” serviços aos partidos do poder que servem as classes que detêm o poder económico.
Deixo uma homenagem a todos, poetas ou não, nacionalistas angolanos e portugueses que deram, muitos deles, a vida, por um ideal de uma sociedade mais justa.
Os povos, todos os povos, vencerão.