sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Aos irmãos

homens do mesmo chão
entrelaçai as mãos
e ficai firmes
e másculos em tudo
diante de tudo

ninguém deve morrer derrotado
morrer depois de cumprir
é o que a vida e a terra exigem

tu
filho da nossa mesma mãe
sê inteiro e vertical
em qualquer tempestade!

um dia
ao voltares à telúrica maternidade
não tragas os germes da cobardia
não infectes a terra-mãe-santa
com um sangue podre de falsidade

que a tua campa
não seja uma nódoa
no corpo e na carne da nossa mãe


Tomaz Jorge (1928-2009)

Filho do poeta Tmaz Vieira da Cruz, nasceu em Luanda.
Participou no movimento literário nacionalista “Vamos descobrir Angola” com outros intelectuais como Agostinho Neto, António Jacinto e Viriato da Cruz, pelo que foi várias vezes preso.
Foi membro fundador da União de Escritores Angolanos.

1 comentário:

Ana Tapadas disse...

Este poema está a ficar muito completo. Óptimo.
beijinho