as cubatas de himane arderam ontem
foi a grande queimada que calupéte atiçou
no capim velho
amanhã nascerá das cinzas o capim novo
com que apascentaremos o gado.
himane reconstruirá o seu quimbo
na encosta da montanha de Sámuel
bem longe da estrada
perto das sombras grandes da floresta
lá onde passam regatos tranquilos
os passarinhos cantam
e a madeira e os frutos silvestres abundam.
n’dove canta debruçada sobre a lavra
os seios pendem-lhe flácidos sobre a terra estrumada
pelo seu suor
o filho chora junto da cabaça de milho
a terra está molhada das primeiras chuvas
o milho está pronto para cair nas lavras
que n’dove preparou.
este ano vai ser um ano de grande para o povo n’dumbe.
Na vila
o senhor administrador já está a cobrar os impostos
já mandou o cipaio tembo avisar os sobas
gunga foi no contrato
foi para as fazendas de sisal da ganda
os filhos ficaram com a irmã mais velha
os bois foram vendidos e a lavra abandonada.
amanhã
humane recomeçará a construir as cubatas incendiadas
isto se não for para a cidade
ser servente de pedreiro
lá nessa cidade onde se constroem as casas de cimento armado
a tocar as nuvens do céu
lá nessa cidade de que falou o primo n’zimbi
lá onde as luzes apagam as escuridões
povoadas de cazimbis
lá onde as queimadas não aparecem
alterando os ciclos e as estações.
Ernesto Lara Filho
foi a grande queimada que calupéte atiçou
no capim velho
amanhã nascerá das cinzas o capim novo
com que apascentaremos o gado.
himane reconstruirá o seu quimbo
na encosta da montanha de Sámuel
bem longe da estrada
perto das sombras grandes da floresta
lá onde passam regatos tranquilos
os passarinhos cantam
e a madeira e os frutos silvestres abundam.
n’dove canta debruçada sobre a lavra
os seios pendem-lhe flácidos sobre a terra estrumada
pelo seu suor
o filho chora junto da cabaça de milho
a terra está molhada das primeiras chuvas
o milho está pronto para cair nas lavras
que n’dove preparou.
este ano vai ser um ano de grande para o povo n’dumbe.
Na vila
o senhor administrador já está a cobrar os impostos
já mandou o cipaio tembo avisar os sobas
gunga foi no contrato
foi para as fazendas de sisal da ganda
os filhos ficaram com a irmã mais velha
os bois foram vendidos e a lavra abandonada.
amanhã
humane recomeçará a construir as cubatas incendiadas
isto se não for para a cidade
ser servente de pedreiro
lá nessa cidade onde se constroem as casas de cimento armado
a tocar as nuvens do céu
lá nessa cidade de que falou o primo n’zimbi
lá onde as luzes apagam as escuridões
povoadas de cazimbis
lá onde as queimadas não aparecem
alterando os ciclos e as estações.
Ernesto Lara Filho
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