volto a ser pequeno
como dantes para ir para a escola
onde aprendi os números e as letras
as ciências e as línguas.
mas desta vez não aprenderei
nem letras nem línguas
nem ciências nem números.
aprenderei a ouvir o povo das sanzalas
dos dongos dos rios das canoas do mar,
nos musseques e no morro da Maianga
as velhas contando coisas doutras eras.
que me interessa saber a língua de voltaire,
de Goethe e shakspeare,
se não sei o cantar das glebas negras?
se não sei o dizer dos marimbeiros,
os tocadores de tchingufos e kisanjis
quando entro calado pelos quimbos?
e o dizer compassado dos batuques
os cantos ritmados das massembas
as histórias do povo e as lendas do passado?
como dantes para ir para a escola
onde aprendi os números e as letras
as ciências e as línguas.
mas desta vez não aprenderei
nem letras nem línguas
nem ciências nem números.
aprenderei a ouvir o povo das sanzalas
dos dongos dos rios das canoas do mar,
nos musseques e no morro da Maianga
as velhas contando coisas doutras eras.
que me interessa saber a língua de voltaire,
de Goethe e shakspeare,
se não sei o cantar das glebas negras?
se não sei o dizer dos marimbeiros,
os tocadores de tchingufos e kisanjis
quando entro calado pelos quimbos?
e o dizer compassado dos batuques
os cantos ritmados das massembas
as histórias do povo e as lendas do passado?
Henrique Guerra
1 comentário:
Muito belo, este poema.
Beijinho
Enviar um comentário