quarta-feira, 4 de março de 2009

Elisa Mulata

quando Elisa, a Mulata
de olhos brilhantes como dendem
veste de negro
seu corpo parece uma escultura quioca
escurecida pelo tempo.

quando Elisa, a mulata
veste de negro
e samba sozinha no meio da sala
de um cabaret
ao som de uma orquestra de mambos
renasce uma rainha
de qualquer noite africana.

Elisa, a mulata ordinária
de olhos brilhantes da cor do dendem
de corpo brilhante, coleante de cobra
de lábios vermelhos e grossos
parece uma escultura quioca
reminiscência de uma qualquer noite africana
perdida nas minhas noites da Europa.

rainha
de uma qualquer noite africana.

Elisa
mulata ordinária
Elisa de Luanda
perdida nas noites
de um cabaret de Lisboa

Elisa
a que quando veste de negro
parece uma escultura quioca
enegrecida pelo tempo.

Ernesto Lara Filho (1932-1977)

Irmão de Alda Lara, é considerado um dos maiores poetas angolanos. Jornalista, destacou-se também na crónica, tendo ficado famosa a sua coluna de crónicas “Roda Gigante” no jornal de Angola, na década de 50. Regente agrícola na Junta de Exportação de Cereais foi despedido tendo passado o exílio na Europa, onde chegou a ganhar a vida como empregado de restaurante. Publicou “O canto do marimbondo”, “Seripipi na gaiola” e “O canto do matrindinde”. Foi co-fundador, em 1975, da União de Escritores Angolanos.

Sem comentários: