tua fome, irmã,
sinceramente confessada,
sinceramente dita sem orgulho de pobre,
cheira a campo lavrado e a sol
e a seiva forte
irrompendo numa afirmação de vida!
tua fome
- a fome da minha boca
a fome das outras bocas jovens,
é a fome que exige pão
porque sabe que ele existe
e a ele tem direito.
por isso tuas palavras
não têm trémulos de vergonha e humilhação
mas o tom seguro
da petição justa e consciente.
tua boca pede luz para a tua alma
mas teu pedir é já um clarão aceso.
eu te digo que confies
e que esperes
e acalmes tua fome, irmã:
porque os campos estão grávidos
e aguardam a hora de florir
e frutificar.
que espere a tua ansiedade,
o dia surgirá fatal, no tempo.
então minha mão
e a tua
e a de todos os outros
- as mãos de todos os que têm fome –
tomarão sua parte de alimento.
espera, irmã
espera que venha a hora-do-fruto
apagar a fome de todas as bocas.
Ermelinda Pereira Xavier
sinceramente confessada,
sinceramente dita sem orgulho de pobre,
cheira a campo lavrado e a sol
e a seiva forte
irrompendo numa afirmação de vida!
tua fome
- a fome da minha boca
a fome das outras bocas jovens,
é a fome que exige pão
porque sabe que ele existe
e a ele tem direito.
por isso tuas palavras
não têm trémulos de vergonha e humilhação
mas o tom seguro
da petição justa e consciente.
tua boca pede luz para a tua alma
mas teu pedir é já um clarão aceso.
eu te digo que confies
e que esperes
e acalmes tua fome, irmã:
porque os campos estão grávidos
e aguardam a hora de florir
e frutificar.
que espere a tua ansiedade,
o dia surgirá fatal, no tempo.
então minha mão
e a tua
e a de todos os outros
- as mãos de todos os que têm fome –
tomarão sua parte de alimento.
espera, irmã
espera que venha a hora-do-fruto
apagar a fome de todas as bocas.
Ermelinda Pereira Xavier


